Jussara e a viagem do Capitão Pickles 07

Diário de Bordo 036

Data Galáctica 482

Capitão James Pickles

Acordei em meus aposentos cerca de 18h após o acontecido trágico ou cômico. Minha última lembrança era uma pedra ameaçadora me atacando e então cai de boca no meio das pernas de Spika. A equipe pontal me relatou que fomos atacados durante uns 10min após a perda de gás da Dra. A Jussara lutou bravamente e segundo Omeu, Paulo, Tris e Elo, durante alguns segundos eles tiveram a impressão de que a nave se esquivou sozinha, isto é, sem o comando dos homens da cabina de comando. Meu trono havia se partido em dois. Puta merda. O relatório geral era catastrófico, fui informado que diversas bebidas se perderam.

Fui chamado na área dos arquitetos e me pediram para colocar uma roupa de luto. Como sou o capitão, não fiz desfeita, botei meu capote negro e  segui. Ao chegar na área dos arquitetos, percebi que ela estava aberta e um público grande entrava e saía do recinto. Os jogadores estavam com capotes pretos de lã, os mineiros com capas negras de borracha, os judocas de quimono negro, os engenheiros com estátuas de anjos negros na mão entre outros com alguma peça de roupa negra. Descobri que a solenidade era para E3, a boneca inflável da Monique Evans 03 do grupo. Ela havia salvado Desmójenys da morte usando seu corpo para amortecer sua cabeça contra uma parede de aço. Apesar da alegria do grupo em ver seu amigo vivo, uma tristeza se abateu sobre todos ao ver a 03 murcha e morta embaixo do colega. Durante 2h foram cantadas músicas que ela adorava, foram recitados poemas, dramatizações de um tal de xequispere e danças ritmadas fecharam a solenidade. Puta merda.

Diário de Bordo 037

Data Galáctica 483

Capitão James Pickles

Acordei em meio a muita luz. Todos os sistemas do meu quarto haviam sido ligados. A música de Amado Batista tocava gloriosamente ao fundo. Ao tentar levantar coloquei minha mão sobre algo macio e quente. Spika estava amarrada e com uma garrafa de vinho do porto enviado no rabo. De novo este sonho maldito. Ignorei a cena, levantei e fiz o de sempre que o véio Pickles sempre faz. Ao voltar, a cama estava lisa e sem a visão aterradora de Spika. Fui ao médico, fiquei preocupado com as paranoias espaciais. No corredor me assustei ao ver um pinico usado passando pela nave batendo na lateral e derramando mijo nos vidros. Me desesperei, corri para o setor médico ainda mais rápido. No fim da última curva havia uma janela redonda tipo escodilha de navio, não resisti e olhei. Puta merda. Ví uma cama de casal desarrumada e embaixo dela um cara agarrado já congelado dando girinhos até espatifar contra o vidro. Puta merda. Estou ferrado, estou no último de loucura. Pedi aos médicos para ficar em coma, mas não permitiram tal coisa. Entrei e desespero. Corri pela Capital, roubei bebidas e café. Derrubei pessoas, roubei comida e corri, corri muito, para bem longe onde ninguém pudesse me achar. Que merda, havia me esquecido onde estava. Expulce… expuls.. bom mandei os pontais saírem. Fiquei só na ponte. Remendei meu trono com durex e palitinhos de picolé e fiquei refletindo sobre a vida. Como era fantástico o espaço vazio. Você não vê nada durante horas e sabe que nas próximas horas também não verá nada. Ai você se frustra e bebe. Então seu subconiente começa a criar coisas legais. Então o espaço é preenchido e a coisa toda aparece. Eu vi pela primeira vez as imagens do universo secreto. O balão mágico pilotado pelo bozo e animado pelo Sérgio Malandro cruzou o nível 01 dos estrados das películas desveladoras do espaço coniente. Raul Seixas sentado em uma cadeira de praia conversava com Paulo Coelho vestido de samurai. Um monstrinho amarelo que falava sempre a mesma coisa tipo pika seu lá o que cruzou o horizonte de provalidades soltando raios. Finalmente a voz me falou comigo. Eu estava no nível 02 de entropia máxima com o mundo aberto do espaço. Comecei a sentir que Jussara podia se comunicar comigo.

Diário de Bordo 038

Data Galáctica 483

Capitão James Pickles

Quando Spika abriu a porta com um grampo de cabelo, disse ter me encontrado com todos os cabelos do corpo em pé, completamente bêbado, chapado e com um charuto acesso enquanto tentava botar as calças. Após a situação inusitada, ela disse que olhei em seus olhos e disse que Jussara é muito mais gostosa. Fui levado para um banho urgente e uma desinto.. desintoq… eles me levaram para fazer uma lavagem. Analisando o painel, Spika disse que havia uma peça faltando e no lugar dela havia apenas um buraco todo melado…

Diário de Bordo 039

Data Galáctica 484

Capitão James Pickles

Durante minha viagem no mundo interno de mim mesmo, descobri coisas sobre mim que eu não sabia. Infelizmente ao retornar para o mundo real me esqueci de tudo. Puta merda. O que sabia realmente era que Jussara havia falado comigo, mesmo antes do padrão Zeta em que mergulhei. Tenho certeza de que o latão é algo mais especial do que imaginava. Estes meus relatórios podem não ter sentido para vocês, mas, tenham certeza de que a tripulação pensa muito diferente. Eles acham que eu fiz uma viagem dimensional. Não sei o que é, mas parece importante. Penso que seja algo com frescor, algo grande e com frescor, uma refrescância ou algo largo pacas. Sei lá. Na verdade, não tenho que pensar nisto, sou o capitão. Deixei esta experiência a cargo dos jogadores. Me prometeram que em pelo menos 60h padrão conseguem uma resposta. E tudo isto antes do bós final (não faço ideia do que significa, mas prometeram repostas). Os engenheiros acham que estou louco e que devia ser amarrado do lado de fora do latão por uma 4h para voltar a sí. Relutei é claro, imagina se sou atingido por um pinico ou cama espacial, tudo é possível depois do ataque das pedras assassinas. Obviamente estes comentários me custaram 03 dias de internação sem visitas. Neste período sofri com a falta de álcool no corpo. Spika havia assumido o comando. Quando retornei curado e seco por um trago tive um choque anazilático. Toda a nave havia sido pintada de rosa e todas as portas eram transparentes. O perfume de rosas selvagens estavam por todos os lados. Meu trono do Grande Rei Arturo, agora era o trono da She-ra. Puta merda. Torci para que tudo fosse minha paranoia aguda. Então um dos mineiros entra na ponte de colam rosa com óculos de borboleta. Pedi aos homens que me levassem de volta ao soro. Pensei estar acordado, mas infelizmente estava mesmo.

Diário de Bordo 040

Data Galáctica 490

Capitão James Pickles

Mergulhado em um tanque de vodca barata da zona 03, naveguei por um mar estranho, cheios de raios coloridos e barcos feitos de linhas que brilhavam. Destes barcos saiam homens que pulavam e brilhavam muito. Ao brilhar se transformavam em coisas que voavam coisas e que corriam sobre a água deixando um rastro de luz. Havia ilhas de quadradinhos brilhantes com homens de luz jogando truco e jogo do osso. Quando atraquei no porto de árvores de vidro várias pessoas me olhavam e me chamavam. Reconheci seus rostos, principalmente o rosto com olhos de fome. Finalmente acordei. Estava estirado no centro clínico. Omeu disse que após me assustar com a pedra que bateu no vidro da ponte dei com os cornos no banco onde estava Spika. Fiquei resmungando e falando sozinho durante dias. Cheguei a levantar e escrever relatórios para depois voltar ao coma. Puta merda. Consegui viajar por dentro da nave. Aliviado do trauma assumi minhas funções rotineiras. Lá pelas d3 da madrugada (dentro da nave) fui roubar uma goroba na Capital e tenho certeza que ví um mineiro correr de colam rosa atrás de um jogador com roupa de He-Man. Puta Merda…

Licença Creative Commons
O trabalho Jussara e a Viajem do Capitão Pickles de Alexsandro Barbosa Costa foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Brasil.
Com base no trabalho disponível em www.zykonn.wordpress.com.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença em http://www.portalgeobrasil.org.

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