CAPITÃO PICKLES – ESPECIAL MARTE PARTE I

Publicação 09 – A Saga de Marte – Parte I

Diário de Bordo 046 – 050

Data Galáctica 510 – 520

Capitão James Pickles

Não sei como descrever melhor, mas, o planeta laranja parece uma porpeta com coloral por cima. Um lugar feio com uma cor horrível, totalmente contraditória segundo Spika. Para onde você olha só vê poeira laranja, montanhas e claridade insuportável. Covas gigantescas e vulcões ferozes, as terras de marte parecem uma imensa ferrugem interminável. O céu de marte é ocre, tempestades de vento e falta da sensação de peso ainda me intrigam. É frio pra caramba, muito mais do que na serra e confesso, que minha macheza está abalada com todo este frio de entortar cusco. Os mais entendidos dizem que a tal atimosfera é ácida e letal, completam ainda que parece que temos gelo nas pontas da porpeta de pedra. Pensei com meus butões quem em sua perfeita condição mental iria morar num lugar do mal como este.

Os engenheiros disseram que devido a esta tal atimosfera ser fina o frio do cão impera e que também devido a ela a Jussara pode voar com mais facilidade, ficando suspensa com pouco uso de combustível. Ao tentarmos comunicação com a base, nada de respostas. Sinceramente não vejo este inferno laranja como minha nova casa. Quando fui fazer uma enterrada de bandeira da nossa expedição, após um incrível discurso de 3h sobre a humanidade e a força de vontade dos homens, um sentimento de tristeza se abateu na tripulação fazendo-os irem para longe, chorarem ou dormirem de emoção coletiva. Não bastando este efeito que no meu mais profundo eu foi belíssimo, um grito de dor indescritível ecoou por marte após a enterrada da bandeira. Tratava-se de um mineiro que foi atacado e enterrado. Ao salvar o homem, olhei fixamente para o grupo e ví com o canto do olho o cara de sempre com as mãos laranja. Puta merda, ele havia enterrado mais um.

Arisclésio (puta merda) foi finalmente preso por mortes de enterramento. Ao voltar da prisão adaptada, tenho certeza que vi o he-man correndo com seu gato guerreiro (isto não tem mais fim). Fizemos adaptações e novas áreas provisórias externas foram criadas. Durante à noite (ahahaha), bebemos em comemoração a pisada no solo marciano. Depois de cerca de umas 6h de bebedeira e um show de strip da Spika com direito a cachoeira de vodica (não me peçam para descrever), nos recolhemos. Spika foi dormir com os mineiros (não revelei seu segredo, queria ver os homens animados) e depois com os engenheiros. Ao seguir pelo duto de plástico transparente 23 tive a impressão de ver algo correndo pelo lado de fora. Pensei que alguns bêbados haviam se esquecido de que não estamos dentro da nave e foram ao banheiro. Botei minha roupa de ação externa igual a do Liuma do uinspéctor e sai todo fodão.

Talvez a pinga combinada com o ar artificial tenha me deixado muito doido, ao ponto de, ver um bar atrás de uma formação rochosa. Aproximei-me e havia certa concentração de pessoas na frente do bar. Perguntei o que estava acontecendo e porque raios não estavam dentro das nossas instalações. Tentei mostrar com minhas palavras de alta precisão de capitão, como era perigoso ficar ali e qual era nosso objetivo. Com uma voz macha nunca antes vista mandei todos voltarem para a porra da nave antes que ficasse brabo realmente, digo, enfurecido ao extremo. Rapidamente todos se voltaram novamente para o bar e nem me mandaram à merda. Puta merda.

Assim, dei três passos firmes e peguei no ombro daquele cara baixinho (durante esta ação me perguntei se já havia visto um tripulante tão pequeno antes) e senti como se minha mão apertasse um pedaço de esponja. KCT meu. Quando o puto se virou não contive meu riso ao ver o cabeçudo com um óculos preto do Brucilí enfiado na cara. Mas ai percebi que todos estavam vestidos iguais, eles pareciam o capitão caverna em traje látex. Só um burro incompetente para não perceber que se tratava de uma festa a fantasia. Pedi desculpas e olhei para a entrada com duas bilheterias e uns posters de pessoas com as mesmas roupas dançando. Tratava-se de uma pista de gafieira eu acho ou algo relacionado ao kuduro. Obviamente pedi desculpas sai na boa e voltei para a base. Ao acordar me lembrei do acontecido e refleti sobre ter sido um sonho ou um contato alien de extremo grau.

No café que estava mais do que badalado, todos os mineiros alegres, os jogadores elétricos, os judocas se exibindo para Spika (não conseguiram nada com ela), os engenheiros e os arquitetos fazendo das xícaras e guardanapos projetos estruturais, os médicos discutindo sobre a pressão arterial neste planeta, os fazendeiros fumando um baseado de palha e o he-man (os jogadores me ensinaram as escrever certo) montado no gato guerreiro planejando um lugar para o castelo de greisicul. Puta merda. Tentei falar sobre o meu contato e todos riram, até Spika me chamou de bêbado babaca. Apelei para o pessoal da ponte e todos riram também. Enquanto todos tinham suas funções bem planejadas e as executavam ao longo do dia (ahahaha), fiquei isolado na ponte e após 3h de pura solidão ouvindo meu MP4 com MP3 do Vando (descanse em paz mestre) e do Amado Batista, tudo se revelou finalmente. Minha conequição saibernave se abriu e Jussara agora habita minha mente. Ela me mostrou a verdade, a vida e o poder supremo. Descobri finalmente que Jussara havia sido construída com restos de lixo da terra e de lixo espacial. Uma destas partes era uma tal de AI alien. Esta coisa chamada AI era como um célebro não natural e tornava a nave algo único em toda a galáqcia infinita em sua extrema plenitude infindável (me puxei hein?). Ligado de alguma forma ainda bem estranha, discutimos alguns pormenores e chegamos as diversas conclusões.

Jussara se mostrou muito mulher mesmo e de cara começou com sua gritarias e exi.. esi, com seus pedidos medonhos. Ela (puta merda) não queria ser tocada por qualquer um na região dos propulsores, todos deveriam usar calçados de veludo, as tampas dos vasos dos banheiros deveriam ficar sempre abaixadas após uso, jamais deixar as toalhas ficarem com chêro de cachorro molhado, não arrotar em público, beber somente até às 20h (ahahahaha), não levá-la a locais frios, não falar palavrões na ponte, entre outras frescuras. Fiz load do meu instinctum de macho desfolhador, puxei minha barba, cocei meu saco e mandei esta piranha enlatada tomar no forévis com todas as letras. Me senti mais leve, bem mais macho que antes, aquela coisa de sentir o poder na mãos e mandar todos longe como o Chuque Nórris. Após esta minha fodástica metodologia, um alarme soou por toda a nave e os motores se ligaram em função reversa. Tudo que estava preso a Jussara foi arrastado e após uma brusca freada fomos parar na carvoaria, justamente na traseira dela. As saídas de emergência foram abertas e um forte minuano nos empurrou pra rua laranja. A Nave decolou e foi embora. Toda a tripulação ficou confinada em uma bacia de plástico transparente. Os primeiros transdeuntes da festa da noite passada começaram a passar por nós, cambeleando de bêbados, alguns pelados e  mesmo assim de óculos. Uma senhora do mesmo naipe chega e nos olha, arregala os olhos (puta merda, agora percebi que não óculos). Alguns pararam, riam, outros simplesmente vomitavam. Para completar alguém gritou peidei…

Licença Creative Commons
O trabalho Jussara e a Viajem do Capitão Pickles de Alexsandro Barbosa Costa foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Brasil.
Com base no trabalho disponível em www.zykonn.wordpress.com.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença em http://www.portalgeobrasil.org.

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