UM PAPO SEM INTENÇÕES A RESPEITO DE RPGS DE CONSOLE PARTE 3

* Não é lista de TOP 10

* Não é crítica de jogos

* Apenas um papo sobre games de consoles

A minha visão do que é um bom RPG de console foi moldada particularmente pelo contato com Fallout 3 e principalmente com Fallout New Vegas. Existe toda uma discussão a respeito de Fallout 2 ser o melhor de todos. Tudo bem senhores, mas, ao jogar esta relíquia nos dias de hoje, apesar da profundidade dada a história e ao conjunto de possibilidades (muitas delas polêmicas, como por exemplo, um personagem mulher poder se prostituir para ganhar um dindin e ainda poder matar crianças), a visão, a jogabilidade e a sensação de munda aberto trazido por Fallout 3 e New Vegas me fizeram idolatrá-los. Em Fallout 3 o personagem possui uma história, uma história que você de certa forma vive desde o nascimento. De repente tudo vira de cabeça para baixo e te jogam num mundo enorme, onde você não faz a mínima ideia de como se comportar ou aonde ir primeiro. Este liberdade de escolha que molda o personagem ao ponto de possuir seguidores ou inimigos mortais foi fantástica (já existia na versão anterior, mas eu a conheci nesta que joguei).

 Fallout é perfeito?

Claro que não, porém, é dentro da minha linha de jogo o que mais se aproxima de um RPG de mesa em console no que diz respeito a vida a ser vivida. Fallout tem trilhões de problemas, mas, trás algo que os outros jogos não tem: o personagem tem uma vida que é construída em parte pelo jogador. Você tem uma casa, você pode alterar alguns aspectos dela, você coleciona itens, fabrica munição, faz trocas, faz amizades, faz inimigos, tem escolhas difíceis, tudo isto dentro de uma história linear que pode ser seguida da forma como quiser para alcançar os objetivos principais do game. Você não é obrigado a seguir tudo de uma forma linear como acontece nos demais jogos. Apesar de não existir clima, existe dia e noite. A coisa toda melhora no aspecto viver em New Vegas, apesar de o fator personagem ficar um pouco excluído. Porém, temos um modo especial onde o peso importa, você cansa, sente sede, fome e sono. Existem facções, alianças, histórias perdidas, seguidores, casa, troféus, respeito, cultura, religião e etc. Até mesmo a construção de itens melhorou. Assim como Star Ocean the Last Hope com a construtora de itens dentro da nave, como Infinite Undiscovery com a confecção de itens na fogueira juntos, como Rogue Galaxy com os projetos para a fábrica e o sapo gerador de espadas, como FFXII com os recipes do mercado, como FFXIII com o frio e sem graça gerador de itens no shop virtual, temos as mesas de construção e a fogueira em Fallout New Vegas. Sem contar que somando Fallout 3 e New Vegas, temos aliens, guerras virtuais, fantasmas e tudo para todos os gostos. Quando se acaba os dois (Fallout 3 com 213h e New Vegas com 187h) fica aquele vazio que nenhum JRPG consegue preencher. Após jogar dos  dois me contentei com Star Ocean the Last Hope, esperando por FFXIII. Não é fácil sair de um universo rico em vida para um universo engessado e plástico, sem vida, onde tudo é sempre igual. Seria uma ingratidão muito grande não citar Fable e Fable II, jogos que apesar de limitados trouxeram características muito legais. A promiscuidade, casamento, filhos, comprar e alugar casas e estabelecimentos, mudança física do personagem (emagrecer, engordar, ficar forte, afetado pela magia, cicatrizes), reconhecimento local pelos seus feitos, investir em cidades para seu desenvolvimento e etc. Infelizmente Fable III se transformou em um JRPG camuflado e apesar de algumas escolhas morais interessantes, não convenceu. Porém o mundo de Fallout era grande e podia ser explorado a pé, te levando para longe do objetivo principal diversas vezes e lhe jogando e intrigas que você nem deveria saber. Fallout te convidava a explorar mais, a saber o que tinha sobre e sob a terra. As expansões enormes e algumas angustiantes como The Pitt e Dead Money, algumas que te deixavam com aquele ar de “uau”, como pode um lugar assim. Ver chuva e água limpa era motivo de alegria. Poder voltar para casa e ter um pouco de sossego era necessário. Para relaxar você ia atrás de coisas fáceis para criar itens. Isto é um RPG de console. Apesar de não jogar AINDA estou me preparando para entrar no mundo de Skyrim que agora com uma nova DLC te permite ter uma série de características que misturam Fallout e Fable. Gosto muito de ler fóruns sobre Skyrim, mas aqueles que o pessoal discute o jogo, tipo onde está tal coisa, ou onde compro isto. O pessoal quer saber mais do jogo, aonde ir, como conseguir tal coisa, o que foi feito em tal lugar. Parabéns a quem joga Skyrim pelo jogo e não pelo status de ser nível sei lá o que, que mata tal criatura com um hit ou que o gráfico de tal console ficou um lixo e mimimi.

Ainda sofrendo com algumas sacanagens das DLCs estou fechando tudo que tenho sobre Dragon Age Origins. Um jogo que a princípio era lento, feio e cinza demais. Apostei nele e descobri uma pérola que muitos odeiam pelo gráfico e falta de CGs. Tolos os que pensam assim. Depois de 91h de jogo e mais 27h de Awakening posso dizer com tranquilidade que este game apesar de Broken World e sem modificações corporais e casas, é muito, mas muito bom. Uma história enorme, com detalhes históricos de guerras, personagens, locais, religião, itens, armas e quests enormes. Confesso, que algumas bem “relax” e até bobas, mas excelentes na maioria. Dotado de um sistema de relacionamento podendo promover amores e amizades de ambos os sexos, via conversas e troca de presentes no acampamento, este game já levava pontos a favor. Ainda trouxe um sistema de táticas individuais como os Gambits de FFXII e habilidades especiais que podiam ser aprendidas com livros com amizades de alto grau. O ciclo dia e noite, assim como o tempo, era modificado o local onde você ia ou com o avanço da história. Havia uma certa criação de itens, criação de armas e armaduras (bem difícil), encantamentos etc. As suas escolhas podiam modificar um cenário hostil e trazer novas momembros para seu grupo. Táticas erradas e personagens errados em missões podiam botar tudo a perder. A maioria dos JRPG nem isto têm, os personagens não conversam entre si, não param, não dormem, não fazem escolhas que alterem radicamente um cenário.

Mass Effect foi viciante e muito bom. Dragon Age lembra Mass Effect na era do ferro. Até mesmo com o lance de importar o personagem para a expansão (no caso do Awakening). Um jogo excelente até o final do terceiro título, não pelo final em sí, mas pela falta de elementos gerados pelas suas escolhas até alí. Já falei antes e escrevo aqui, o final foi ótimo, nada de final babaca que tem que deixar todo mundo vivo e feliz, mas, com base nas variáveis criadas durantes o primeiro e o segundo. Quanta informação além do próprio personagem carregamos para o final?

 Queria ver minhas variáveis aplicadas ao final e assim ter um final diferente do padrão que pode ser visto no youtube por qualquer um. Fora isto ele é memorável com todo o seu sistema de escolhas e formação de caráter social e galáctico. Relacionamentos, alianças e inimigos, equipamentos, upgrades da nave, clube de dança e etc. Na terceira versão até temos hospital. O sentimento aflora com bastante naturalidade no Mass Effect 3, os combates ficaram mais dramáticos e o final supremo (porém queria minhas escolhas refletidas nele). O que me desagradou foi aquele último suspiro, algo que deixa margem para outro jogo. Queria realmente o fim da saga do Shepard. Será?

Como podem ver, os ARPG amadureceram e quebraram a plasticidade dos JRPG, se tornando muito supremos. Estou com medo de jogar Skyrim e não conseguir jogar mais nada que não seja desta empresa.

E o que GTA 4 e The Sims tem haver com tudo isto?

Escrevo na próxima!

 

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