CAPITÃO PICKLES – ESPECIAL MARTE FINAL

Publicação 11 – A Saga de Marte – Parte Final

Diário de Bordo 046 – 050

Data Galáctica 510 – 520

Capitão James Pickles

Nos jogamos pela porta arrebentando o vidro. A força com que fomos puxados para fora foi terrível, parecia um impacto de uma jamanta carregada de aipim crú com um bêbado em terceiro grau. Para que você intenda melhor, o bêbado tem três níveis. O primeiro grau é aquele que as pernas ficam comichando e a visão tem paraláxis (mazá hein) para todos os lados. O grau dois é aquele que você vive outra vida e quando fica sóbrio não sabe o que aconteceu. O grau três é aquele que você é uma coisa inertia, uma pedra de carne, um monte de nada agrupado num canto. Não emite sons, apenas vive como um vegetal. Agora voltando ao nosso causo, estávamo sufocando numa areia quente e preta na beira de uma praia cor de rosa. Nossos zóios saíram pra fora e nossa língua dobrou de tamanho. Pensei: morremos di veis!

Foi então que acordei todo babado e mijado (puta merda) na cabine agarrado no leme da Jussara (puta merda). Todos estavam aguardando ordens faziam seis horas. Tudo que me lembro era bebedeira? Puta merda!

Pelo que entendi, tudo começou a ser delírio quando queimaram a bota no domo de plástico. Segundo a tripulação, Jussara retornou porque se sentiu só no vasto estar óshian e ficou com medo da matéria escura (boiei). Assim retornou rapidinho, mas a esta altura eu já estava apagado devido ao flatejo mortal. Fui carregado de volta para meu quarto. Nos relatórios a lápis feitos em papel pardo de açougue do Amarildo, consta que sai do quarto e fui até a ponte para decolar o mais rápido possível. Não se sabe o que aconteceu que acabei apagando de novo. Ao acordar nesta situação, tive lampejos de algo bom e ruim, memórias do meu passado misturado com coisas es..ex.. estranhas que não estavam em minha vida. Me vieram nos cornos lembranças de um rodeio onde laçávamos discos voadores, corridas em tatus gigantes e tiro ao alvo em minhocas venusianas. Não faço ideia da onde isto venha, não é de nenhum momento alegre ou estranho da minha feliz vida nos campos alegres. Da onde veio este bagulho?

Os mais sábios da tripulação me disseram que aconteceu uma tal de interação com a nave e compartilhamos coisas. Mas para ai, a nave tem passado? Mas agora me embrulhou cada butiá do bolso. Quando pensei que tudo era alucinação derivada da junção das mentes de mim e Jussara, me vem aos trancos uma musiquinha bagaceira. O arrasta-pé dos marcianos era verdadeiro. O buraco escuro que tinha visto no meu delírio era real. E para meu susto vi a véia passar em direção ao clubinho, toda arrumadinha e com um batão vermelho morango. Puta merda. Todos os supostamente mortos estavam de volta e bem vivos.

No dia seguinte fizemos contato e os arquitetos mostraram os planos do risórtis. Um et baixinho e com uma voz rouca e fanha era o tradutor e fez a mediação entre as raças. Alguns de nós iriam ficar para o projeto e com isso ganharam passe livre no clubinho de dança. Sorte? Puta merda!

Quando partimos, uma foto para posteridade foi tirada, como se nunca mais fóssemos voltar para ver como o risortis ficou. Ao me mostrar uma das 302 fotos tiradas (pensei que era apenas uma), uma me chamou a atenção. Nesta foto crianças olhavam para a câmera como se fossem comê-la. Realmente esta foi a ultima foto enviada para a nave, as crianças devoraram a câmera. Tomara que o pessoal dure bastante para construir o risortis antes de serem comidos né?

Sentei em meu trono e ao olhar para esquerda vi alguns protestos onde marcianos nos mandavam tomar no toba. Infelizmente não havia tempo para uma rapidinha neste bar e tomar esta coisa. Assim, deia ordem de decolagem como no Yamato: Jussara Hajinnnn!

Licença Creative Commons
O trabalho Jussara e a Viajem do Capitão Pickles de Alexsandro Barbosa Costa foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – CompartilhaIgual 3.0 Brasil.
Com base no trabalho disponível em www.zykonn.wordpress.com.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença em http://www.portalgeobrasil.org.

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