CSI – Caras Sensíveis Inteligentes – EP03-TP1

CSI

TEMPORADA 01

EP3 – O caso do cavalo branco da pracinha.

[The Flash]

Era uma tarde fria de inverno, quando The Flash recebeu a notificação da escola onde trabalhava como professor de inglês técnico. O SMS dizia para que participasse do Lual Urbano da Escola de Informática. No início não levou muita fé no evento, mas, quando seu colega Caramujo, disse que iria e ainda por cima, disse que iria combater uma URSA até o fim do evento, em um rápido movimento de dedos ele respondeu o SMS quatro horas depois. Ainda executou algumas tarefas agendadas e após um rápido banho de uma hora e mais três horas para se vestir e mais uma para convencer seu corpo a sair de casa ele chegou exatamente às 21:47 na empresa.

A frente da empresa estava sombria, com apenas alguns focos de luzes providos pelos postes de ferro com luz azul apagado espalhados de forma caótica pelo terreno. Algumas coisas corriam entre as árvores, as folhas dos galhos faziam aquele ruído de filme de terror, balançando com uma mão acenando no escuro. O portão principal estava fechado, assim a única alternativa seria seguir pela entrada de terra para carros. Sinceramente ele não queria sujar sua botinhas de couro da Angélica (Zebu Jeans). O caminho era margeado por plantas exóticas e samambaias que pareciam ter vida, ficando mais agressivas quando se passava muito devagar. A escuridão e o medo foram dando lugar a uma estranheza e a uma luz alaranjada que ficava dançando. Logo, o caminho de areia deu lugar a um piso horroroso, todo fragilizado que se quebrava fácil ao simples pisar da bota. As plantas exóticas deram lugar a tochas sequenciais que guiavam qualquer caminhante a um tipo de quiosque de madeira rústica.

O caminho era protegido por uma armação de parreira com uvas ou seja lá o que era. Em todos os casos, eram coisas secas, sem vida. Na pouca grama que a luz sufocantemente amarela iluminava, haviam pessoas estranhas. Tinham cabelos diferentes, alturas diferentes, vozes diferentes e acreditem: sexos diferentes. Eles falavam coisas sem muito nexo mesmo estando sóbrios. Rapidamente três horas depois ele lembrou que eram estudantes de programação, eram NERDS. Por isso a língua obscura e com semântica difusa. Afetado pelas ondas sonoras das músicas escolhidas a dedo pelo mestre de cerimônias (algo entre um narrador de turf, MMA e um DJ pobre) o cenário foi se tornando caótico. Luzes coloridas foram ligadas, e piscavam fora de sincronia com as musicas do Bee Gees e do Cazuza. A playlist era permeada por coisas como Funk Nacional e Sertanejo arranjado com Dance e Techno. Haviam chegado mais pessoas que estavam ali pela cerveja, pois, assim que as latas acabaram eles sumiram. Outro fator que promovia o grande Êxodus eram as músicas escolhidas pelo alegre e confiante DJ. Para fugir disto, a única solução encontrada foi encher a cara.

Como se o mundo atual tivesse sido escondido por magia negra, a bebida que deveria ser uma dúzia de inocentes latas de Skoll, se mostraram o elixir da realidade. Um véu negro de mentira havia sido removido e agora as luzes não eram mais um incômodo, era possível entender tudo o que diziam, as pessoas pareciam pessoas realmente, mas, a música era um golpe fundo no olho. The Flash percebeu imediatamente depois de 30 minutos que seu colega caramujo estava sendo cercado por súditos estranhos, o que incluía um Dwarf sem barba e uma mulher Urso. Ilusão ou realidade?

A mulher urso perseguiu diversos convidados da festa e por fim caiu em uma armadilha feita por um ELFO da floresta. Ela ainda tentou rasgar as roupas e a pele do elfo, mas ele foi mais rápido. Ajudado por um feiticeiro eles fizeram a ursa chorar e correr sem rumo pelo terreno, acabando por se chocar com um banco obscurecido pela fraca iluminação. Ela foi rodeada por estranhos, logos famintos por provar a sua carne e passar as mãos em suas pernas cabeludas. O primeiro foi o Dwarf, mas foi jogado a metros de distância pela força da mulher. O segundo foi o Pan Alemão, este, teve seus cabelos arrancados e ainda comeu terra. O terceiro foi o motoqueiro fantasma, ele chegou perto, mas errou a marcha e teve seu guidão amassado. Os três se arrastaram até a porta da empresa e ficaram escondidos nas trevas.

Lentamente Caramujo adentrou pela selva de escuridão e achou o banco onde a mulher Urso estava deitada chorando. Ela não aguentava mais a música, mas, algo na festa impedia que ligasse para alguém. Pedir socorro era impossível. Assim o tempo passou e Caramujo e Urso se arranjaram e formaram uma breve aliança que os tornou felizes por algumas horas. Caramujo ergueu os seus braços e gritava algo que não era mais possivel compreender. Pouco tempo depois, a mulher Urso levantou cuspiu e do nada fugiu correndo para a rua, onde um carro negro e esportivo a esperava. Caramujo trocou algumas palavras com os três escondidos e voltou para o centro maldito: o quiosque do DJ.

Caramujo e The Flash estavam sendo afetados pela música, quando um dos membros da equipe de Web Design ofereceu uma fuga daquele martírio. A tal fuga era audaciosa e perigosa. Eles deveriam conversar um pouco com cada convidado, fazer uma piadas, mostrar para os chefes que tudo estava maravilhoso e mais complexo: agradar o DJ. Conversar com as pessoas foi difícil, pois os chefes estavam pra lá de Bagdá e tudo que se falava era como uma piada. Então vinha a parte mais complicada, dizer ao DJ que tudo era fantástico. Afetados pelas musicas cada vez piores, a saída teve que ser acelerada, pois o carro de fuga também estava se degradando rápido. A cor do veículo já havia mudado e os cabelos de Caramujo haviam se tornado grisalhos. Era tudo ou nada!

Próximo de casa, não era ainda possível acreditar no silencio, na não música e no volume normal de uma conversa. Todos dentro do carro podiam falar normalmente e nenhuma música ruim agredia os ouvidos. Completamente bêbados o motorista e The Flash riam da capacidade de escutar um ao outro sem precisar gritar. Caramujo o único não alcoolizado do grupo, após alguns segundos de observação disse:

– “Vocês podem parar de conversar e seguir para a festa, para o Lual?”

Eles se olharam e perceberam o carro cheio de latas vazias. O carro estava com o pisca alerta ligado e virado para o lado errado da rua. Estavam parados ao lado da pracinha, bem próximos do cruzamento que levava para a casa do Caramujo. Deram partida na carro e ao andar alguns metros foram surpreendidos por um cavalo branco que surgiu do nada e foi para lugar nenhum. O cavalo trotava sem montaria, rindo e peidando bem no meio da rua em ritmo acelerado.

Moral da história: se beber não dirija!

Segundo Caramujo, o único sóbrio no momento da aparição, o cavalo branco havia sido uma exteriorização dos medos dos dois bêbados. A projeção psíquica potencializada pelo álcool ativou o sentido de alerta dos bêbados os fazendo enxergar a realidade em que estavam. Motivado por uma histeria coletiva o subconsciente de Caramujo se fundiu com a projeção o forçando a crer em uma aparição física. Ou seja, o cavalo era um sinal do subconsciente de ambos para não fazerem o impensado. Todos foram salvos pelo álcool.

Mas uma dúvida ainda ficou, quem era o cara no banco de trás com roupa de grego que falava o tempo todo:

Nîn o Chithaeglir
lasto beth daer;
Rimmo nîn Bruinen
dan in Ulaer!

Também aceitamos teorias sobre buracos de minhocas e planos adjacentes.

CASO CSI 03 ENCERRADO

Licença Creative Commons
O trabalho CSI – Caras Sensíveis Inteligentes de Alexsandro Barbosa Costa está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://zykonn.wordpress.com/2015/02/05/csi-caras-sensiveis-inteligentes/.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em http://www.portalgeobrasil.org/.

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