A História do Calendário

calendario antigo

Desde a pré-história que o Homem ficou deslumbrado pela sucessão dos dias e das noites e pelo desenrolar das fases da Lua: estes fenômenos conduziram às noções de dia e de mês. A noção de ano é menos evidente e foi só com o desenvolvimento da agricultura que os povos primitivos se aperceberam do ciclo das estações. São, portanto, o dia, o mês lunar ou lunação e o ano os períodos astronômicos naturais utilizados em qualquer calendário.

A Classificação dos Calendários

Em sentido amplo, todo calendário é astronômico, variando apenas seu grau de exatidão matemática. Classificam-se eles em sideraislunaressolareslunissolares.

um troço estranho

O Calendário Sideral

Baseia-se o calendário sideral no retorno periódico de uma estrela ou constelação a determinada posição na configuração celeste. Para o estabelecimento do calendário sideral, há milênios, utilizou-se a observação do nascer ou do ocaso helíaco (ou cósmico) de uma estrela. Além do nascer ou do ocaso real de uma estrela, respectivamente, pelo horizonte leste ou oeste, chama-se nascer ou ocaso helíaco (ou cósmico) a passagem de um astro pelo horizonte oriental ou ocidental no momento do nascer ou do pôr do sol, respectivamente. Quando o astro nasce no momento do pôr do sol, ou se põe no momento em que o Sol nasce, diz-se que há nascer ou ocaso acrônicos. Nascer helíaco, portanto, é a primeira aparição anual de uma estrela sobre o horizonte oriental, quando surgem os primeiros raios de sol. Para evitar atraso no registro da data do nascer helíaco, os sacerdotes egípcios, que determinavam as estações em função desse fenômeno, eram obrigados a vigílias rigorosas. Algumas tribos do Brasil e da América do Sul serviam-se do nascer helíaco das Plêiades para indicar o início do ano. O primeiro calendário assírio se baseava no nascer helíaco da constelação de Canis Majoris (Cão Maior), cuja estrela principal, Sirius, tinha importante papel em sua mitologia.

O Calendário Lunar

A base do calendário lunar é o movimento da Lua em torno da Terra, isto é, o mês lunar sinódico, que é o intervalo de tempo entre duas conjunções da Lua e do Sol. Como a sua duração é de 29 dias 12 horas 44 minutos e 2,8 segundos, o ano lunar (cuja denominação é imprópria) de 12 meses abrangerá 254 dias 8 horas 48 minutos e 36 segundos. Os anos lunares têm que ser regulados periodicamente, para que o início do ano corresponda sempre a uma lua nova. Como uma revolução sinódica da Lua não é igual a um número inteiro de dias, e os meses devem também começar com uma lua nova, esse momento inicial não se dá sempre numa mesma hora. Por sua vez, na antiguidade, e mesmo depois, houve frequentes erros de observação desse início.

Para que os meses compreendessem números inteiros de dias, convencionou-se, desde cedo, o emprego de meses alternados de 29 e 30 dias. Mas como o mês lunar médio resultante é de 29 dias e 12 horas, isto é mais curto 44 minutos e 2,8 segundos do que o sinódico adicionou-se, a partir de certo tempo, um dia a cada trinta meses, com a finalidade de evitar uma derivação das fases lunares. Por outro lado, como o ano lunar era de 354 dias, observou-se que havia uma defasagem rápida entre o início do mesmo e o das estações. Procurou-se eliminar essa diferença, intercalando-se periodicamente um mês complementar, o que originou os anos lunissolares.

calendário lunar surgiu entre os povos de vida essencialmente nômade ou pastoril, e os babilônicos foram os primeiros, na antiguidade, a utilizá-lo. Os hebreus, gregos e romanos também dele se serviram. O calendário muçulmano é o único puramente lunar ainda em uso. Com Júlio César, Roma adotou um calendário solar que predominou entre as populações agrícolas.

O Calendário Solar

Os egípcios foram o primeiro povo a usar o calendário solar, embora os seus 12 meses, de trinta dias, fossem de origem lunar. O calendário instituído em Roma, por Júlio César, reformado mais tarde pelo papa Gregório XIII e atualmente adotado por quase todos os povos, é do tipo solar, e suas origens remontam ao Egito.

calendário solar segue unicamente o curso aparente do Sol, fazendo coincidir, com maior ou menor precisão, o ano solar com o civil, de forma que as estações recaiam todos os anos nas mesmas datas.

O Calendário Lunissolar

Baseia-se o calendário lunissolar no mês lunar, mas procura fazer concordar o ano lunar com o solar, por meio da intercalação periódica de um mês a mais. O mês é determinado em função da revolução sinódica da Lua, fazendo começar o ano com o início da lunação. Para que a entrada das estações se efetue em datas fixas, acrescenta-se um mês suplementar, no fim de certo número de anos, que formam um ciclo. Os babilônicos, chineses, assírios, gregos e hindus utilizaram calendários lunissolares. Atualmente, os judeus – que adotaram o calendário babilônico na época do exílio – e os cristãos se valem desse sistema para determinar a data da Páscoa.

Nos calendários lunares e lunissolares o dia tem sempre início com o pôr do sol, como ocorre ainda hoje, no calendário judeu e muçulmano. No calendário solar, o dia começa com a saída do Sol, como no antigo Egito. Na Mesopotâmia o dia, para as observações astronômicas, começava à meia-noite, embora o calendário usual partisse do anoitecer. Os chineses e romanos adotaram também a meia-noite para o início do dia, uso que é seguido pelo calendário gregoriano.

O Primitivo Calendário Romano

O primeiro calendário romano foi criado por Rômulo em 753 a.C., ano de fundação de Roma, baseado no calendário egípcio. Era um calendário lunar, e tinha 304 dias, divididos em dez meses, dez meses lunares, seis de 30 dias e quatro de 31, desde Março a Dezembro. O primeiro mês é o Martius (Março) e adota a meia-noite para início do dia.

É atribuído a Rômulo. Numa Pompilius,discípulo de Pitágoras, que por tradição foi o segundo rei de Roma (715-673 a.C.?), acrescentou-lhe mais dois meses, Janeiro e Fevereiro, para um ano de 354 dias.

Em (616-579 a.C.) o etrusco Tarquinius Priscus, por receio supersticioso dos meses com números pares, deu um dia mais a Janeiro, e sistema passou a ser de um ano com doze meses e 355 dias. Janeiro tinha 29 dias, Fevereiro tinha 28 dias, Maio, Julho e Outubro 31 dias, Janeiro, Abril, Junho , Agosto , Setembro, Novembro e Dezembro 29 dias.

Estes anos de 366 dias, chamam-se bissextos, porque os latinos chamavam ao dia 25 de Fevereiro “bi-sextus kalendas Martii” quando este tinha 29 dias. Mudou-se também o nome do quinto mês do ano “quintilius” para Julho (Julius) em homenagem a Júlio César, e mais tarde o sexto mês “sextilius” passa para o que hoje é Agosto (Augustus) em homenagem a Octávio César Augusto.

Januarius, com 29 dias, é colocado sob a proteção de Janus, o deus da paz, representado por duas faces, uma olhando para o passado (fim do ano) outra para o futuro (ano novo).

Februarius, com 28 dias, azarado por ser número par, é dedicado ao deus da purificação dos mortos, Februa. Sua denominação faz referência à “febre”, é o mês das doenças, considerado de mau agouro.

Assim, o ano fica com 355 em vez de 354, que era o valor do ano lunar, para evitar o suposto azar de um número par. A cada dois anos, há um 13º mês, Mercedonius, com 22 ou 23 dias.

Os anos no calendário romano eram chamados de a.u.c. (ab urbe condita), a partir da fundação da cidade de Roma. Neste sistema, o dia 11 de Janeiro de 2000 marcou o ano novo do 2753 a.u.c.

Mais tarde Júlio César criou o calendário juliano, numa reforma aconselhada pelo astrônomo alexandrino Sosígenes, adotando um calendário com 365,25 dias no ano trópico, que mesmo assim era maior que o ano solar em 11m e 14seg. Isto dava um erro de 3 dias em cada 400 anos.

Desta forma, atribuiu 445 dias ao ano de 46 a.C., para reajustar o ano civil ao solar. Este ano é chamado de Ano da Confusão. A diferença de 6 horas entre o ano solar e o ano civil era ajustado de 4 em 4 anos, no mês de Fevereiro, dia 24, repetindo esse dia.

O Calendário Chinês

calendário chinês surgiu com o terceiro herói cultural, Huang-ti, o Senhor Amarelo ou Senhor Augusto. Foi introduzido em 2.637 a.C., baseado nas fases da lua e, posteriormente, no ano lunissolar de 12 meses, a exemplo do israelita. Como no israelita, há o período metônico. Cada mês pode ter 29 ou 30 dias e o ano tem 354 ou 355 dias.

Comporta dois ciclos: um de 12 anos (354 ou 355 dias, ou 12 meses lunares) e um de sete anos (com anos de 383 ou 384 dias, ou 13 meses). Os chineses inserem meses adicionais em intervalos fixos para resolver a diferença entre o ano solar (365 dias) e o ano lunar (354 dias). O ano novo começa sempre em uma lua nova, entre 21 de Janeiro e 20 de Fevereiro.

A República Popular da China adotou o calendário gregoriano, introduzido pelos jesuítas em 1582, para fins oficiais após a revolução de 1911. No entanto, para festividades é adotado o antigo calendário chinês que parece ter sido introduzido em 2637 a.C. pelo Imperador Huangdi. É possível recuperar o traço deste calendário até remotas épocas do século 14 a.C.

 Ano bissexto

Ao adotar o calendário solar, em 44 a.C., Júlio César criou o ano de 365 dias e um quarto. Por causa dessa diferença, a cada quatro anos era necessário atualizar as horas acumuladas com um dia extra. O problema do calendário juliano é que, na verdade, um ano tem 11 minutos e 14 segundos a menos do que se estimava. Por isso, em 1582, o papa Gregório XIII (1502-1585) anulou dez dias do calendário e determinou que, dos anos terminados em 00, só seriam bissextos os divisíveis por 400. E o nome “bissexto” tem uma explicação curiosa: em Roma, celebrava-se o dia extra no sexto dia de março, que era contado duas vezes.

Fontes:

http://revistaescola.abril.com.br/

http://www.espacoastrologico.org/

http://www.mat.uc.pt/~helios/Mestre/H01orige.htm

Chernobyl, maior acidente nuclear da história

Chernobyl

Este ano o desastre nuclear de Chernobyl completa 30 anos, esse ocorreu na Ucrânia e foi o pior acidente nuclear da história.

À 1h23 da madrugada de 26 de abril de 1986, o reator nuclear número 4 da usina explodiu durante um teste de segurança. Ocorrido o acidente, o vento encarregou-se de espalhar as nuvens com os elementos radioativos por boa parte dos paises vizinhos, e por onde passou afetou a vida dos seres que ali viviam.

Como ocorreu o acidente?

O acidente ocorreu quando os técnicos da usina estavam realizando experimentos no reator 4, para realizar testes com o reator, o sistema automático de segurança foi desligado. Como o reator foi operado a potência muito abaixo do limite inferior por período muito longo, houve um superaquecimento. Quando os operadores da sala de controle resolveram desligá-lo, não foi mais possível, pois a potência do reator cresceu, ao invés de decrescer. A reação em cadeia cessou imediatamente, mas o aquecimento provocou uma explosão de vapor e gases. A energia liberada levou ao deslocamento da laje superior de concreto. Gases e partículas radioativas foram lançados para a atmosfera.

Localização e áreas afetadas

A usina de Chernobyl está localizada no assentamento de Pripyat, Ucrânia, 18 km a noroeste da cidade de Chernobyl.

Chernobyl-Map

Como resultado da catástrofe, 40da Europa foi contaminada comradioatividade perigosa. A Ásia e América do Norte também foram expostas a quantidades significativas de precipitação radioativaPaíses contaminadosincluem a Áustria, Finlândia, Suécia, Noruega, Suíça, Romênia, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, França, Grécia, Islândia e Eslovênia, bem como amplos territórios na Ásia, incluindo a Turquia, Geórgia, Arménia, os Emirados, China, e norte da ÁfricaCerca de 400 milhões de pessoas estavam em áreas onde a radioatividade estava muito alta.

Problemas na saúde

Após o acidente na usina os problemas de saúde nas regiões afetadas pela nuvem de radiação cresceram disparadamente.

Os problemas de saúde mais encontrados na população afetada foram:

  • Sistema circulatório (devido principalmente à destruição radioativa do endotélio, o revestimento interno dos vasos sanguíneos).
  • Sistema Endócrino (especialmente patologias de tireoide não-maligna).
  • Sistema Imunológico (“AIDS de Chernobyl,” aumento da incidência e da gravidade de todas as doenças).
  • Sistema respiratório.
  • Trato urogenital e distúrbios reprodutivos.
  • Sistema esquelético-muscular(incluindoalterações patológicasna estrutura ecomposiçãodos ossos: osteopenia e osteoporose).
  • O sistema nervoso central (alterações nos lobos frontal, temporal e ocipitoparietal do cérebro, acarretando inteligência diminuída e distúrbios mentais e comportamentais).
  • Olhos (catarata, destruição vítrea, anomalias de refração e desordens conjuntivas).
    • Aparelho digestivo.
  • Malformações congênitas e anomalias (incluindo, anteriormente, raros defeitos múltiplos dos membros e cabeça).
  • Câncer de tireoide (Todas as previsões relativas a este câncer foram errôneas; cânceres de tireoide relacionados com Chernobyl se instalam rapidamente e tem desenvolvimento agressivo, atingindo tanto crianças como adultos. Após a cirurgia, as pessoas se tornam dependentes de medicamentos para reposição hormonal por toda a vida).
  • Leucemia (câncer no sangue), não apenas em crianças e liquidadores, mas na
    população adulta em geral dos territórios contaminados.
  • Outras neoplasias malignas.

Número de Mortos

O Número de pessoas que morreram por câncer devido a nuvem de radiação chegou a 93 mil, já o número total de mortos devido a outras doenças chega a 200 mil e cerca de 20% deste total cometeu suicídio.

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Consequências Ambientais

Trinta anos depois da catástrofe todos os animais de caça nas áreas contaminadas da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia europeia têm altos níveis deradionuclídeos de Chernobyl. Ainda é possível encontrar alces, javalis ecorças que foram perigosamente contaminados na Áustria, Suécia, Finlândia, Alemanha, Suíça, Noruega e vários outros países.

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Todas as plantas, animais e micro-organismos que foram estudados nos territórios contaminados por Chernobyl têm níveis significativamente mais elevados de mutações do que aqueles em áreas menos contaminadas. A exposição crônica à baixa dose nos territórios de Chernobyl resulta em uma acumulação transgeracional de instabilidade genômica, que se manifesta com efeitos celulares e sistêmicos. As taxas de mutação em alguns organismos aumentaram durante as últimas décadas, apesar da diminuição no nível local de contaminação radioativa.

Chernobyl após 30 anos

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fonte das imagens:http://misteriosdomundo.org/fotos-assustadoras-revelam-como-esta-chernobyl-apos-30-anos-do-desastre/

As pessoas que vivem nas áreas afetadas ainda têm contato diário com níveis de radiação elevados.

“Está no que eles comem e bebem. Está na madeira que usam na construção e queimam para se aquecer”, afirma o relatório do Greenpeace, intitulado “Cicatrizes Nucleares: Os Legados Duradouros de Chernobyl e Fukushima” – este último uma referência ao acidente de março de 2011 em uma usina nuclear no Japão.